sexta-feira, 5 de outubro de 2012

PASSAGEIRO

Tudo pulsa.
É cedo ainda.
Deixei os inimigos
dormirem comigo
nas mesmas armas que  
ainda me ameaçam.

Os olhos dos abutres,
vigiam meu vaguear
e nas trevas em que vivo
não temo o teu olhar

Tudo em volta,
volta nas manhãs.
(nas aspirais de vida)
às margens em que vivo
e enceno existir

A cidade redemoinha
sou mais um passageiro.
Resiste nas esquinas
os desafetos
que temo reencontrar.

A eternidade tem vigílias
expõe-me ao se revelar,
custa ter em minha face
o seu espelhar,
custa ver em minhas mãos
a cura carregar.    


Marcos tavares de souza